domingo, 31 de agosto de 2008

O diagnóstico da Pós-modernidade


Acompanhei um dos últimos temas do programa "A Invenção do Contemporâneo", da TV Cultura, sobre a conjuntura que caracteriza o pensamento filosófico de nosso tempo: a pós-modernidade (post-modernism). Sob a coordenação do grande filósofo e professor da PUC, Luiz Felipe Pondé, e a participação de convidados de diversos campos acadêmicos (sobretudo psicanálise e sociologia), o programa contribuiu de forma significativa para que ampliasse meu conhecimento sobre a sociedade contemporânea.

O primeiro episódio foi o mais interessante. O filósofo Pondé descreveu o processo de transição do período moderno para o pós-moderno, e definiu suas principais diferenças. Pois bem. O período da idade moderna, específico da história do ocidente, tem início, como se sabe, no século XVI, aproximadamente no ano de 1500. É definido pela maioria dos estudiosos como a época em que se inicia a substituição do modo de produção feudal pelo modo de produção capitalista. Esta transição modificou a maneira de como se pensar e agir, pois, é quando inicia-se a denominada filosofia moderna, marcada pelos primeiros sinais do uso da razão sem a dependência direta dos valores religiosos.

Segundo Pondé, o período também foi assinalado por um sistema de idéias que se prolongou até o final do século XX, entre eles, a de que somente a razão e a ciência poderiam conduzir o homem rumo a um suposto progresso final da civilização. Francis Bacon (1561-1626), político, filósofo e ensaísta inglês, destacou-se entre os filósofos com uma obra literária que defendia a importância do progresso da ciência. Johannes Kepler (1571-1630), astrônomo alemão, foi um dos primeiros cientistas a separar a observação física dos astros da superstição astrológica. O resultado destas idéias junto às transformações sociais da época contribuíram para que, ao longo de 500 anos de história, a sociedade ocidental do século passado tomasse a forma como a conhecemos, porém, acompanhada por duas observações: acomodada e ideológicamente frustrada.

Se por um lado, o homem ocidental do século XX experimentou um mundo mais cômodo, transformado pela razão e pela ciência, por outro, experimentou um "mal-estar" generalizado, causado pela promessa não cumprida de que o benefício destas transformações abarcariam a resposta final para os problemas da sociedade. É dentro deste contexto que o conceito de pós-modernidade entra em cena.

Diversos aspectos caracterizam este novo paradigma filosófico. Zygmunt Bauman, sociólogo polonês citado diversas vezes durante o programa, utiliza um conceito dado pelo filósofo americano Ralph Waldo Emerson (1803-1882), para definir alegoricamente o homem pós-moderno, como: "um andarilho que corre sobre uma fina camada de gelo. Ele não tem um destino certo. Mas sabe que, se parar, o piso racha e morre afogado".

Pondé completa que a sociedade pós-moderna atravessa uma "nevasca". Além de não haver nenhuma referência clara para onde se deve ir, não há tempo de escolha, porque, conforme a proposição de Waldo Emerson, se ela parar, o piso de gelo racha.

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